segunda-feira, 20 de julho de 2026

O diário dos sonhos

O Diário dos Sonhos

Quando Zé tinha nove anos, ganhou do seu primo um caderno de capa azul. Como não tinha muitos brinquedos, resolveu transformá-lo em um diário. Na primeira página, escreveu com todo o cuidado:

“Este é o meu Diário dos Sonhos.”

Zé morava na zona rural, em um lugar muito distante da cidade. Naquela época, sua casa não tinha energia elétrica. À noite, a luz vinha de um candeeiro, e era perto dele que Zé fazia as tarefas da escola.

A escola ficava a cinco quilômetros de sua casa. Todos os dias, bem cedinho, ele colocava os cadernos na mochila e seguia a pé. Fazia o caminho sozinho. No meio da estrada havia um riacho. Quando chovia, a correnteza ficava forte e era preciso ter muito cuidado para atravessar. Mesmo assim, Zé nunca desistia.

Durante a caminhada, conversava com os passarinhos e com as árvores. “Bom dia, sabiá! Hoje tem prova. Torça por mim!” Parecia que o vento respondia: “Continue, Zé! Você vai conseguir!”.

Quem mais acreditava nele era sua mãe adotiva, Dona Maria. Ela não sabia ler nem escrever, mas dizia todos os dias: “Meu filho, eu não tenho estudo, mas quero que você estude. Vá aprender e nunca desista dos seus sonhos.” Ela fazia chapéus de palha de Ouricuri para comprar o material escolar de Zé.

À noite, Zé escrevia no diário: “Quero terminar os estudos. Quero trabalhar. Quero comprar um carro. Quero viajar. Quero ajudar outras crianças.”

No turno contrário ao da escola, ajudava Dona Maria na roça. Enfrentou dias de sol forte, chuva e até bullying. Mesmo assim, nunca abandonou os estudos.

Os anos passaram. Zé concluiu os estudos, entrou na faculdade e realizou um grande sonho: tornou-se professor. Infelizmente, Dona Maria faleceu antes de vê-lo receber o diploma. No dia da formatura, Zé agradeceu a ela em pensamento por nunca ter deixado de acreditar nele.

Hoje, muitos sonhos do diário já foram realizados. Mas ainda existe um sonho maior: que toda criança seja protegida, tenha acesso à escola e cresça com amor, respeito e educação.

Zé acredita que, quando uma criança estuda, ela tem mais oportunidades para construir um futuro digno. E costuma dizer aos seus alunos: “Lugar de criança é na escola. É lá que os sonhos começam a se tornar realidade.”

No final do diário, ele escreveu: “Os sonhos mudam a vida. A educação ensina o caminho para realizá-los.”


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