O Diário dos Sonhos
Quando Zé tinha
nove anos, ganhou do seu primo um caderno de capa azul. Como não tinha muitos
brinquedos, resolveu transformá-lo em um diário. Na primeira página, escreveu
com todo o cuidado:
“Este é o meu
Diário dos Sonhos.”
Zé morava na
zona rural, em um lugar muito distante da cidade. Naquela época, sua casa não
tinha energia elétrica. À noite, a luz vinha de um candeeiro, e era perto dele
que Zé fazia as tarefas da escola.
A escola ficava
a cinco quilômetros de sua casa. Todos os dias, bem cedinho, ele colocava os
cadernos na mochila e seguia a pé. Fazia o caminho sozinho. No meio da estrada
havia um riacho. Quando chovia, a correnteza ficava forte e era preciso ter
muito cuidado para atravessar. Mesmo assim, Zé nunca desistia.
Durante a
caminhada, conversava com os passarinhos e com as árvores. “Bom dia, sabiá!
Hoje tem prova. Torça por mim!” Parecia que o vento respondia: “Continue, Zé!
Você vai conseguir!”.
Quem mais
acreditava nele era sua mãe adotiva, Dona Maria. Ela não sabia ler nem
escrever, mas dizia todos os dias: “Meu filho, eu não tenho estudo, mas quero
que você estude. Vá aprender e nunca desista dos seus sonhos.” Ela fazia
chapéus de palha de Ouricuri para comprar o material escolar de Zé.
À noite, Zé
escrevia no diário: “Quero terminar os estudos. Quero trabalhar. Quero comprar
um carro. Quero viajar. Quero ajudar outras crianças.”
No turno
contrário ao da escola, ajudava Dona Maria na roça. Enfrentou dias de sol
forte, chuva e até bullying. Mesmo assim, nunca abandonou os estudos.
Os anos
passaram. Zé concluiu os estudos, entrou na faculdade e realizou um grande
sonho: tornou-se professor. Infelizmente, Dona Maria faleceu antes de vê-lo
receber o diploma. No dia da formatura, Zé agradeceu a ela em pensamento por
nunca ter deixado de acreditar nele.
Hoje, muitos
sonhos do diário já foram realizados. Mas ainda existe um sonho maior: que toda
criança seja protegida, tenha acesso à escola e cresça com amor, respeito e
educação.
Zé acredita
que, quando uma criança estuda, ela tem mais oportunidades para construir um
futuro digno. E costuma dizer aos seus alunos: “Lugar de criança é na escola. É
lá que os sonhos começam a se tornar realidade.”
No final do
diário, ele escreveu: “Os sonhos mudam a vida. A educação ensina o caminho para
realizá-los.”
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